“São compatíveis e complementares as actividades agrícolas e florestais”

12 Setembro, 2016

 

 

 

Conheça o discurso de Carlos Amaral Vieira, director geral da CELPA – Associação da Indústria Papeleira, na abertura do seminário “A Floresta de Produção, um Caminho de Futuro”, realizado em parceria com a UNAC (União da Floresta Mediterrânica) e que decorreu no dia 7 de Setembro de 2016 na feira Agroglobal, em Valada do Ribatejo.

 

 

“A CELPA (Associação da Indústria Papeleira) está pela primeira vez presente da Agroglobal. Num ano em que a organização deste conceituado e tão profissional evento decidiu dar também destaque à floresta, reconhecendo o enorme contributo do sector florestal para a economia do País, a CELPA e as suas Associadas quiseram mostrar que são compatíveis e complementares as actividades agrícolas e florestais e que é possível e desejável o estabelecimento de parcerias que promovam o aumento do rendimento dos agentes do sector agro-florestal.

 

Carlos Amaral Vieira discursa na abertura do Seminário "A Floresta de Produção, um Caminho de Futuro"
Carlos Amaral Vieira discursa na abertura do Seminário “A Floresta de Produção, um Caminho de Futuro”. 

A feliz e imaginativa assinatura da Agroglobal é “nós semeamos”. Pois bem: as Associadas da Celpa que são proprietárias e gestoras de activos florestais dizem “nós plantamos”. Em conjunto, podemos dizer: “nós criamos riqueza”.
O conjunto de actividades que compreendem a designada Fileira ou Sector Florestal, isto é, Madeira, Cortiça, Mobiliário proveniente da transformação de bens da floresta, e Pasta Papeleira e Papel representa cerca de 5% do PIB, 10% das exportações, 90.000 empregos, cerca de 400.000 proprietários florestais, contribui com 2,6 mil milhões de euros anuais para a nossa balança comercial e representa um volume de negócios anual superior a 7 mil milhões de euros.
Estas exportações têm a singularidade de incorporarem um elevadíssimo valor acrescentado nacional que, no sector da Indústria Papeleira, é da ordem de 70%.  


O sector florestal promove o desenvolvimento económico e social do meio rural : existem centenas de milhares de hectares de terra sem outra aptidão agrícola rendível conhecida, propriedade de centenas de milhares de portugueses, que podem ser objecto de projectos de  florestação; o sector garante  rendimentos aos produtores florestais, na maioria pequenos e muito pequenos, e aos empresários de corte e transporte de madeiras; é um cluster muito importante para a dinâmica e riqueza do interior do país através dos viveiros, dos empreiteiros de preparação do terreno, da limpeza e manutenção dos povoamentos, são, enfim, largos milhares de postos de trabalho directo e indirecto na indústria transformadora e nos serviços.
Neste evento, gostaríamos de dar notícia e de partilhar resultados de duas iniciativas da CELPA: O projecto Melhor Eucalipto e o Prémio Floresta e Sustentabilidade.  

 

Quando se vem assistindo, nos últimos anos, à perda de área florestal no nosso país, situação única na Europa, é urgente aproveitar as áreas incultas e as áreas sem aptidão agrícola, mas com aptidão florestal, enquanto que , em paralelo, se deve apostar no aumento da produtividade das áreas actualmente existentes, de forma a suprir o enorme défice de matérias-primas das nossas indústrias de base florestal (essa escassez é responsável por cerca de 150 a 200 milhões de euros anuais em importações de madeira, só no eucalipto).
É precisamente para contribuir para esse necessário aumento da Produtividade Florestal que a CELPA tem em execução o Projecto Melhor Eucalipto. 


Este projecto é um contributo efectivo da Indústria Papeleira para o caminho da sustentabilidade da floresta portuguesa.
Concretiza-se numa intensa campanha de formação e informação de boas práticas na gestão da floresta de eucalipto, em recomendações técnicas junto de produtores e técnicos florestais, proprietários, municípios, prestadores de serviços e demais ‘stakeholders’. O objectivo é contribuir de forma determinante para melhorar a gestão operacional das plantações de eucalipto, tornando-as sustentáveis, mais rentáveis, e acrescentando valor à fileira florestal.
As Empresas ALTRI e NAVIGATOR, Associadas da Celpa, instalaram aqui na área da feira, junto ao stand da Celpa, um ensaio de eucalipto que visa demonstrar os benefícios dessas boas práticas, transmitindo o conhecimento e a experiência da Indústria: neste caso, a fertilização e a rega assistida. Convido-os a que visitem esses ensaios que são, de facto, notáveis.
A outra realização da Celpa para a qual gostaria de chamar a vossa atenção é o Prémio Floresta e Sustentabilidade. 


O Prémio Floresta e Sustentabilidade 2016 pretende identificar, promover, distinguir e premiar as boas práticas florestais, relevar a importância da Certificação da Gestão Florestal, divulgar os bons exemplos de projectos sustentáveis e inovadores, encorajar os trabalhos de I&D, em todas as vertentes e nos vários segmentos que constituem as diferentes fileiras florestais. Sem distinção de espécies.
Destina-se a produtores, proprietários, empresários, associações, centros de investigação, Municípios, ONG, ZIF, universidades.
São 4 as categorias a que se podem apresentar candidaturas:

Boas Práticas de Silvicultura; Sustentabilidade Florestal; Associativismo; Projectos de I&D.
As candidaturas estão abertas até 31 de Outubro e, demonstrando o nosso empenho nesta iniciativa, foi decidido dotar o prémio de uma componente pecuniária para cada uma das categorias.

A informação sobre o prémio está disponível no stand da CELPA.

 

Temos seguramente oportunidades complementares a explorar, compatíveis com os objectivos do sector agrícola e do sector florestal, que potenciam melhor rendimento global aos agentes comuns. Neste seminário, em particular no primeiro painel, serão endereçadas algumas delas.
Estamos pela primeira vez na Agroglobal, com muito gosto.
Quero saudar a organização, na pessoa do engenheiro Joaquim Torres, pela excelência da organização e agradecer à UNAC, e ao engenheiro Gonçalves Ferreira, a cooperação na organização conjunta deste seminário.
A todos os presentes, e em particular aos senhores oradores que amavelmente aceitaram o nosso convite, muito obrigado por terem vindo.”