Rearborizar
o Eucaliptal

em 3 passos

De forma simples vamos explicar-lhe como pode realizar um trabalho de rearborização com eucalipto. Em três passos irá conhecer a melhor forma de preparar o terreno, escolher a planta mais adequada e o modo correcto de a plantar.

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1º Passo Preparar
o terreno

Preparar o terreno é fundamental para o desenvolvimento das raízes e crescimento das árvores.
Em geral, esta operação permite a descompactação do solo, o controlo da vegetação infestante, a incorporação de sobrantes florestais e o alinhamento da plantação.

Como preparar o terreno

  • A preparação de terreno visa melhorar o arejamento, infiltração, retenção de água e disponibilidade de nutrientes no solo, condições essenciais ao desenvolvimento radicular, crescimento das plantas e sucesso das plantações.
  • Devem privilegiar-se as faixas de plantação seguindo as curvas de nível, evitando a mobilização total da área.
  • As operações mais comuns são o destroçamento de cepos, a gradagem, a ripagem ou subsolagem e a construção ou beneficiação de terraços.
  • Não deve ser feita com o terreno encharcado.
  • O controlo da vegetação existente ou da biomassa florestal resultante da exploração anterior deve ser realizado para facilitar as operações subsequentes, podendo estes ser ou não incorporados no solo.
  • É essencial não inverter os horizontes do solo, mantendo a matéria orgânica e os nutrientes na zona de desenvolvimento radicular.
  • A profundidade da ripagem, 40 a 70 centímetros, e o número de dentes a utilizar, 1 a 3, dependem das características físicas e espessura do solo.
  • Em caso de risco de encharcamento devem ser construídas valas para escoamento de água.

TERRENO RIPADO

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2 %

Inclinação
longitudinal
e interior

4 a 5 metros

Largura

Taludes

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Construção de Terraços

  • Construa os terraços com plataformas de 3,5 a 4 metros de largura,
    sendo recomendável manter uma ligação entre eles.
  • Recomenda-se uma inclinação lateral para o interior de cerca de 2% e uma inclinação longitudinal de cerca de 2%.
  • Proceda à ripagem dos terraços.
  • Para prevenir a erosão, em terraços de solos sensíveis com maior desgaste, deixe a vegetação existente nos taludes.
  • Com declives superiores a 25% devem ser construídos terraços, excepto em solos pouco consolidados.

Eliminação de cepos por destroçamento

  • Os cepos poderão ser destroçados com recurso a uma alfaia tipo enxó. A gradagem poderá ser necessária para controlo de vegetação infestante e incorporação de sobrantes florestais.
  • Quando se proceda à construção ou à reconstrução de terraços, recomenda-se igualmente, sempre que possível, o destroçamento prévio dos cepos, pois esta operação melhora o rendimento e a qualidade do trabalho de (re)construção dos terraços. Nos casos em que não seja possível destroçar os cepos nos terraços, estes serão arrancados e incorporados nos taludes durante a (re)construção.

ALFAIAS
TIPO “ENXÓ”

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Evite...

1

Evite depositar materiais (terra, biomassa) nas linhas de água.

2

Evite utilizar o fogo para eliminar os sobrantes florestais.

3

Evite operações que destruam as camadas do solo.

4

Evite mobilizar o terreno segundo a linha de maior declive.

5

Evite a preparação do terreno se o solo estiver encharcado.

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Gorgulho-do-
-eucalipto

Dica

  • Pode encontrar plantas melhoradas nos Viveiros Aliança e nos Viveiros do Furadouro. Estas plantas apresentam um crescimento maior face à planta não melhorada e dão origem a povoamentos mais uniformes.

Planta
Melhorada

20 %

Crescimento
superior
face à planta
não melhorada

Planta não
melhorada

2º Passo a escolha da planta

As plantas não são todas iguais, pelo que a sua escolha adequada é crucial para o sucesso da plantação.

Como escolher a planta?

Veja como escolher
a planta

Escolha a planta de acordo com os seguintes critérios:

  • O tipo do solo (capacidade de retenção de água, profundidade e disponibilidade de nutrientes);
  • As características do clima (mais chuvoso, ocorrência de geadas, Verões muito secos, etc.)
  • As pragas e doenças mais frequentes na área de plantação.

Fungo Mycosphaerella

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Gorgulho-do-eucalipto

(Gonipterus platensis)

Para minimizar os impactos criados pelo ataque do “Gorgulho-do-eucalipto”, escolha a planta adequada aconselhando-se junto dos Viveiros Aliança/Viveiros do Furadouro. O combate a esta praga pode também ser feito através da aplicação dos insecticidas autorizados em Portugal (CALYPSO e EPIC), e a sua aplicação só poderá ser feita por empresas e técnicos devidamente autorizados. Procure realizar este tratamento em conjunto com os proprietários vizinhos.

Recomendação

Adquira as plantas em viveiros certificados e prefira plantas melhoradas - categorias Qualificada ou Testada:

  • Maior adaptabilidade a diferentes condições de solo e clima.
  • Maior volume em madeira.

Não obstante o maior custo em relação à planta não melhorada, o ganho decorrente do maior crescimento é largamente compensador.

Factores
de Escolha

Solo
Pragas
Clima

Doença das manchas das folhas do eucalipto (fungo Mycosphaerella)

A presença do fungo Mycosphaerella limita o desenvolvimento das plantas no primeiro ano de vida porque afecta essencialmente a folha juvenil, provocando a sua queda. Esta doença é mais comum no Litoral e em anos húmidos e de temperatura amena.

3,25 m a 4 m

de distância
entre linhas

1.8 a 2.5 m

de distância
entre plantas

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3º Passo plantação

O sucesso de uma plantação dependerá de um adequado planeamento,
utilização das melhores técnicas e acompanhamento após a plantação.

Antes de plantar, tenha em atenção:

  • Encomende as plantas com uma antecedência superior a seis meses, de modo a assegurar o tempo necessário para a sua produção, e que as mesmas se encontrem disponíveis na altura mais indicada para plantar.
  • Plante na Primavera ou no Outono após as primeiras chuvas, quando o solo se encontrar húmido.
  • Verifique a qualidade das plantas no momento da sua recepção.
  • Reduza o tempo de permanência das plantas no campo antes da plantação e, para o seu armazenamento temporário, escolha locais bem arejados, sem risco de geada e com disponibilidade de água.
  • Antes de colocar a planta no solo, assegure-se que o torrão está suficientemente húmido.

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Critérios de qualidade da planta

  • o torrão da planta deverá ter boa consistência e não apresentar
    sinais de secura ou desagregação.
  • as raízes deverão apresentar as pontas de cor branca, aspecto
    fresco e sem sinais de enrolamento;
  • o diâmetro do colo da planta deverá ser maior ou igual
    a 2milimetros;
  • Idealmente as plantas deverão apresentar entre 20 a 40cm de
    altura e folhas sem manchas em pelo menos 2/3 da parte área
  • Com declives superiores a 25% devem ser construídos terraços, excepto em solos pouco consolidados.

Qual o número de árvores
a plantar por hectare
(10 mil m2)?

  • Não é verdade que tenha mais produção por plantar árvores mais juntas.
  • Prefira compassos de plantação o mais quadriláteros possível (exemplo: 3,5 x 3 ou 3 x 3).
  • Para optimizar a produção deve plantar entre 1000 (zonas mais secas) a 1400 árvores/hectare (zonas de maior precipitação).
  • As distâncias de plantação dependem do número de árvores, mas genericamente:
  • a distância entre linhas deve ficar entre 3,25 e 4 metros, sob pena de se inviabilizar operações mecanizadas de manutenção.
  • a distância entre plantas deve ser de 1,8 metros a 2,5 metros, função da densidade pretendida.
  • nos terraços, devido à inclinação, a distância entre as linhas de plantação pode ser igual ou superior a 5 metros e entre plantas é, no mínimo, de 1,8 metros.

Como deve plantar?

Deve plantar no fundo do sulco aberto na preparação do terreno, onde o solo se encontra mais descompactado e com melhores condições de enraizamento.

Em terrenos sulcados, as plantas devem ser plantadas no sulco central.

Em zonas encharcadas, as plantas devem ser colocadas no terço superior do sulco de plantação.

Nos terraços, a plantação deve ser feita no sulco exterior da ripagem.

  • As plantas devem ser colocadas na vertical para não danificar as raízes, devendo utilizar-se preferencialmente o tubo de plantação.
  • No momento da plantação, a planta deve apresentar folhas em todo o tronco, sem manchas e o torrão inteiro e consolidado, não devendo ser utilizada no caso do torrão se desfazer.
  • Aplique adubo na altura da plantação , contribuindo para o desenvolvimento inicial da planta, veja aqui.
  • O torrão deve ficar coberto de terra, devendo o solo envolvente ser levemente acamado para evitar a formação de bolsas de ar.

Exemplo
de torrão

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Após a plantação

Após a plantação faça o acompanhamento da sobrevivência e da vitalidade das plantas. Caso existam plantas mortas ou debilitadas efectue a sua replantação:

  • Nas plantações de Outono, em Fevereiro-Março seguinte.
  • Nas plantações de Primavera, cerca de 3 a 4 semanas após a plantação, com o terreno húmido
  • Aplique novamente adubo ao replantar.

Evite...

1

Evite utilizar locais para estaleiro das plantas pouco arejados, sem protecções contra a geada e sem água para regar.

2

Evite a plantação em compassos muito apertados que possam inviabilizar a mecanização das operações e prejudicar o adequado desenvolvimento das árvores.

3

Evite utilizar plantas danificadas e sem torrão consolidado.

4

Evite plantar no Verão ou em períodos de seca prolongada, pois o solo não tem água suficiente que permita que as plantas vinguem.

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Construção e manutenção de caminhos florestais

Quando planear a rearborização do seu terreno, preveja a construção de caminhos florestais. É um apoio importante para o trabalho de plantação e contribui para a prevenção, detecção e combate aos incêndios. Nem todos os caminhos têm de ser zona de passagem, pelo que os pode usar para delimitar a propriedade.

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A construção dos caminhos deve ter em conta:

1

A segurança para
a circulação de
veículos.

2

A adequada drenagem
da água.

3

A protecção das
linhas de água.

4

A prevenção
do risco
de erosão.

5

A orografia do
terreno.

Exemplo
de um caminho
bem feito

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  • Na construção de caminhos deve fazer-se o menor movimento de terra possível.
  • Devem ser respeitadas áreas de protecção às linhas de água (rios, riachos, etc.).
  • Para evitar a acumulação da água nos caminhos, esta deve ser conduzida para a rede de drenagem natural, construindo da seguinte forma:
  • os caminhos devem apresentar inclinação lateral interna, lateral externa ou bilateral, de 2-4% a partir do centro da via;
  • em zonas declivosas, escorregadias e nas curvas, os caminhos devem apresentar uma inclinação para o lado interior, de forma a tornar mais segura a circulação dos veículos;
  • devem existir valas de drenagem ao longo da rede viária para recolher a água que escorre da superfície dos caminhos e encaminhá-la para os locais adequados de escoamento, evitando problemas de erosão;
  • se for inevitável atravessar as linhas de água, devem escolher-se os locais naturais de cruzamento e o mais próximo possível da perpendicular.

Aspectos a considerar no planeamento dos caminhos:

  • Os caminhos devem ser planeados e construídos com a devida antecedência antes da sua utilização para permitir uma boa consolidação.
  • Antes de iniciar a construção o caminho deve ser marcado no terreno, de acordo com o plano, e é necessário limpar toda a vegetação.

Áreas de Protecção

Devem ser criadas áreas de protecção às linhas naturais de água (rios, riachos, etc.) permanentes e temporárias.

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O Traçado

A largura dos caminhos deve permitir a circulação de qualquer veículo de transporte e combate a incêndios. No máximo, os caminhos podem ter 4 metros – não incluídas as valetas – podendo ser excedida em caso de curvas acentuadas.

Em curvas muito acentuadas, o caminho deve ter a largura suficiente para que um camião com reboque consiga circular. Entre duas curvas, deve existir uma recta com pelo menos 30 metros de comprimento. No caso de lombas ou depressões, deve ter-se em atenção o mesmo factor, de modo a que não sejam muito acentuadas.

Por questões de segurança, todos os caminhos devem ter saída, pontos de cruzamento para veículos (espaçados no máximo de 100 a 200 metros) e de realização de inversão de marcha. A inclinação longitudinal dos caminhos deve ser inferior a 12%.

Manutenção das vias

A manutenção das vias evita a sua degradação e problemas de erosão, permitindo a circulação dos veículos em segurança. A manutenção depende:

  • do volume de tráfego e tipo de veículos que circulam nessas vias.
  • da qualidade dos materiais utilizados e da sua construção.
  • da eficiência e manutenção do sistema de drenagem.
  • da intensidade da chuva.

Recomendações

  • As valas de drenagem devem ser mantidas limpas para que a água possa circular livremente.
  • Todos os materiais e outros obstáculos que caiam nos caminhos devem ser retirados o mais cedo possível.
  • Limpe a vegetação da berma dos caminhos para facilitar a circulação.

Evite...

1

Evite construir caminhos sem saída, sem pontos de cruzamento de veículos e de inversão de marcha.

2

Evite construir caminhos que atravessem linhas de água sem que seja absolutamente necessário e sem estarem asseguradas as condições de estabilidade do local de passagem.

3

Evite construir caminhos em vales íngremes e estreitos, encostas escorregadias ou outras áreas instáveis e sensíveis.

4

Evite alterar o curso natural das linhas de água.

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