Pragas
e doenças

Identificar correctamente a praga ou doença que afecta os eucaliptos, e saber como a tratar de forma eficaz, é essencial garantir uma plantação saudável e com boa produtividade.

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Pragas e doenças

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Pragas e doenças

Em Portugal, as principais pragas e doenças que atingem os eucaliptos são:

  • o Gorgulho-do-Eucalipto - Gonipterus platensis.
  • a Doença das Manchas das Folhas - Mycosphaerella.
  • a Broca do Eucalipto - Phoracantha sp.

Para os identificar, esteja atento às alterações de cor e forma na folha do eucalipto. Se tiver dúvidas, aconselhe-se com um especialista da sua associação ou empresa florestal.

Não se esqueça:

De forma geral, para evitar e controlar estas pragas e doenças:

  • Utilize plantas melhoradas.
  • Plante em regiões com boas características para o eucalipto.
  • Desenvolva boas práticas de plantação e manutenção de florestas.
  • Utilize adequada e responsavelmente os “remédios” químicos (fitofármacos).

Planta melhorada

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Encontre e aconselhe-se sobre plantas melhoradas nos Viveiros Aliança e nos Viveiros do Furadouro.

gorgulho-do-eucalipto

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gorgulho-do--eucalipto

O que é?

Clique para ver o vídeo "Controlo do Gorgulho"
  • O Gorgulho-do-eucalipto (Gonipterus platensis) é um insecto desfolhador que se alimenta das folhas de eucalipto, atacando especialmente as folhas adultas de formação recente que crescem no terço superior da copa das árvores.

Larvas na folhagem

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Gorgulho-do- -eucalipto

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Em que época?

  • Ataca sobretudo entre Março e Maio, podendo ainda ocorrer um segundo ataque no Outono mas geralmente de menor intensidade. Os primeiros sinais são o aparecimento de ovos (posturas) e larvas na folhagem.

Sintomas e consequências

Para saber a gravidade do ataque, avalie a percentagem
de folha comida de acordo com a tabela abaixo:

Percentagem
da folha comida

Descrição

Intensidade
de ataque

</= 10%

Não há sinais da presença
do insecto nem se vêem estragos
nas folhas.

Sem ataque

11-25%

Sinais de folha comida
e de perda de folha entre 11 a 25%.

Fraco

26-60%

perda de folha
entre 26 e 60%.

Moderado

61-90%

perda de folha
entre 61 e 90%.

Forte

> 90%

perda de folha muito intensa (>90%)

Multo forte

Meios de Controlo

Controlo biológico

  • O insecto Anaphes nitens alimenta-se dos ovos do gorgulho-do- -eucalipto e ajuda a controlar a praga. No entanto, este parasita não se dá bem em zonas montanhosas do Norte e Centro, em altitudes acima dos 400 metros.

Controlo químico

  • Utilize químicos para combater esta praga, apenas quando os ataques são moderados a fortes (percentagem de folha comida entre 25% e 90%).
  • Só podem ser utilizados insecticidas autorizados para o efeito e os tratamentos só podem ser aplicados por empresas e técnicos devidamente autorizados para o efeito.

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Folhas comidas pelo Gorgulho-do-eucalipto

Insecticidas a aplicar

Para aplicar os insecticidas na plantação deve respeitar:
  • O DL 26/2013 de 11 Abril, define as normas legais de aplicação. Consulte a legislação aqui.
  • Os princípios da protecção integrada (anexo II do DL 26/2013 de 11 Abril).
  • Instruções de uso dos produtos, assim como as normas de higiene e segurança.
  • Rigorosamente, os limites da parcela de terreno a tratar.

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Não se esqueça:

  • Respeitar a legislação.
  • Respeitar os limites do terreno.
  • Utilizar apenas os inseticidas autorizados em Portugal.
  • Garantir que apenas empresas e técnicos devidamente autorizados podem proceder à sua aplicação.
  • Garantir que a empresa que aplica o tratamento cumpre:
    • As boas práticas de aplicação e de segurança, incluindo a utilização de equipamento de protecção individual adequados.
    • Os limites da parcela de terra a tratar.
  • Evitar derrames de calda na terra ou na água.
  • Recolher embalagens vazias e reciclá-las devidamente.
  • Nunca aplicar em dias chuvosos e de ventos fortes.

Quando aplicar

Em caso de presença da praga, o tratamento deve ser realizado anualmente:

  • Na Primavera,
    entre Março
    e Maio.

  • No Outono,
    entre Setembro
    e Novembro.

  • quando houver
    muitas larvas
    nas árvores

Como aplicar

Os insecticidas devem ser aplicados em ultra-baixo-volume, na medida de cerca de 3 litros de calda/ha, com as seguintes dosagens:

  • 200ml/ha
    CALYPSO

  • 200g/ha
    EPIK

Plano Nacional de Controlo do Gorgulho-do-eucalipto

Neste momento, está em vigor o plano nacional de controlo do Gorgulho-do-eucalipto, uma acção coordenada pelo Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF). Este plano baseia-se em quatro eixos:

1

Sensibilização
e informação

2

Controlo
das populações

3

Monitorização
das populações

4

Medidas de apoio
e financiamento

Saiba mais no site do ICNF.

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doença das manchas das folhas

doença das manchas das folhas

O que é?

  • É uma doença causada por um fungo que ataca preferencialmente a folhagem juvenil, causando manchas mais ou menos irregulares. As manchas são castanho-claras e à sua volta têm uma área castanho-escura ou arroxeada.

Em que época?

  • Esta doença está associada a períodos de maior humidade e temperatura, sendo mais frequente no Outono e Inverno.

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Sintomas e consequências

Ataque do fungo Mycosphaerella

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  • Ataca sobretudo as folhas jovens.
  • Vê-se este tipo de manchas nas folhas
  • Pode causar a perda parcial ou total das folhas.
  • Atrasa o crescimento da árvore e consequentemente provoca a diminuição da produção.

Meios de Controlo

  • A aplicação de fungicidas em campo não é eficaz.
  • A melhor forma de combater este fungo é preveni-lo através da utilização de plantas melhoradas.

Broca do eucalipto

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O que é?

  • É uma praga que abrange um conjunto de insectos perfuradores do tronco e entrecasco do eucalipto, estando presentes no nosso país duas espécies, a Phoracantha semipunctata e a Phoracantha recurva, as quais são originárias da Austrália.
  • A P. semipunctata foi detectada pela primeira vez no nosso país no início da década de 1980, tendo sido a primeira espécie a ocorrer com estatuto de praga importante em plantações de eucalipto em Portugal.

Phoracantha recurva

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  • A P. recurvafoi observada pela primeira vez em Portugal em 2001.
  • São pragas secundárias, afectando preferencialmente árvores debilitadas pela seca, fogos ou por outros factores de stress, as quais emitem odores que atraem os insectos adultos. Toros recém cortados também são susceptíveis de serem atacados.
  • Os ataques são mais prováveis em eucaliptais situados nas regiões mais quentes de Portugal.

Em que época “ataca”?

LARVAS E PUPAS

MAIO OUTUBRO

O período de voo dos adultos e postura das fêmeas ocorre durante o período mais quente do ano, entre Maio e Outubro.

VOO E POSTURA

TODO O ANO

Dentro do tronco e sob a casca podem ser encontradas larvas e pupas durante todo o ano.

Sintomas e consequências

Sintomas

  • Copa seca ou a secar;
  • Tronco com exsudações (corrimentos) de quino;
  • Rebentação ao longo do tronco;
  • Presença de serrim, galerias larvares (após descasque), orifícios de emergência dos insectos adultos, e sinais de predação por pica-paus.

Consequências

  • O consumo dos tecidos vasculares impede a circulação de água e nutrientes, enfraquecendo as árvores e causando frequentemente a sua morte, geralmente no final de um ano de ataque.

Intensidade dos ataques

Após a observação dos sinais de presença da Broca do eucalipto, a classificação da intensidade do ataque é feita com base na avaliação da percentagem de árvores secas ou a secar no povoamento:

Percentagem de
árvores afectadas

Intensidade
de ataque

0% Sem árvores afectadas

Inexistente

>1% Menos de 1% de árvores afectadas

Fraco

>1% a 5% Entre 1 a 5% de árvores afectadas

Moderado

>5% Mais de 5% das árvores encontram-se afectadas

Forte

Meios de controlo

  • O método de controlo mais importante desta praga é a prevenção. Evite plantar em zonas susceptíveis à ocorrência de factores de stress como regiões com verões muito quentes, secos e prolongados.

  • Em regiões propícias à ocorrência desta praga, deverá ser feita uma monitorização atenta do povoamento, uma vez que o controlo é sempre mais eficaz enquanto o ataque for fraco.
  • Atenção!

  • Poucos insectos provocam grandes prejuízos.
    Os estragos evoluem rapidamente quando não se intervém.

Prevenção cultural

  • Escolha adequada dos locais para a plantação;
  • Escolha do tipo de planta melhor adaptada à região e aos principais factores de stress vegetativo;
  • Silvicultura adequada, salvaguardando o solo e a sua capacidade de retenção de água, e o cuidado em não danificar as raízes das árvores.

Cortes Fitossanitários

  • Para que servem?
    Reduzir a praga, eliminando as árvores atacadas que já se encontram secas ou que estejam a secar.
  • Que tipos de corte existem?
    Corte pé a pé -> quando a intensidade do ataque for Fraca ou Moderada
    Corte raso por manchas ou em toda a área -> quando mais de 30% das árvores se encontra atacada.
  • Onde NÃO devem ser feitos?
    Povoamentos a menos de 2 anos do corte
  • Quando devem ser feitos?
    Inverno e início da Primavera, quando a maioria dos insectos se encontra dentro dos troncos na fase larvar ou de pupa.
  • Principais cuidados a ter
    Retirar e processar/destruir a madeira até meio de Maio.

Luta biológica

  • Destruição dos ovos da Broca do eucalipto através do parasitóide Avetianella longoi;
  • Predadores como os pica-paus (larvas), formigas (ovos) e os morcegos (insectos adultos).

Armadilhas

São constituídas por toros e rama de eucalipto recém cortados, assentes sobre um plástico com cola, onde os insectos ficam presos.

  • Para que servem?
    Aumentar as populações do principal inimigo
 natural (Avetianella longoi)
    Monitorizar a praga

    Capturar adultos da Broca, reduzindo as populações da praga
  • Onde devem ser usadas?
    Plantações com mais de 3 anos SEM ATAQUE Regiões/plantações com histórico de ataque
  • Onde NÃO devem ser usadas?
    Povoamentos atacados
    Povoamentos a menos de 2 anos do corte
    Povoamentos em que a envolvente está muito atacada
  • Quando devem ser usadas?
    Primeira instalação no início de Junho
    Instalar mais 2 vezes se o nº de insectos for superior a 50

Principais cuidados a ter

  • A madeira deve permanecer entre 1 a 2,5 meses no campo, permitindo deste modo o desenvolvimento do parasitóide A. longoi
  • Processar ou destruir a madeira até 3 meses após corte
  • Retirar plásticos e tubos de cola da floresta
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