A manutenção

Após a plantação ou corte dos eucaliptos, os cuidados a ter nos três primeiros anos são fundamentais para garantir o sucesso e diminuir o risco de incêndio.


Fique a conhecer as principais operações de controlo de vegetação espontânea e de selecção de varas.

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Controlo
de Vegetação

A vegetação espontânea pode ser controlada de forma manual, mecânica e, apenas se estritamente necessário, de forma química. Explicamos, de seguida, um pouco mais sobre cada um destes métodos.

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Manual

O controlo manual da vegetação pode ser feito através de Sacha ou da Motorroçadora.

Sacha

  • Logo após a plantação, deve realizar­-se a sacha da vegetação espontânea para que esta não “roube” água, luz e nutrientes às jovens plantas de eucaliptos, essenciais para o seu bom desenvolvimento.
  • A sacha faz­-se com uma enxada ou uma alfaia semelhante e pode ser feita sozinha ou combinada com outros métodos de controlo de vegetação, num raio de 50 centímetros à volta da planta de eucalipto.
O que é
a sacha?

A sacha é a limpeza
das plantas que surgem em redor dos
eucaliptos recém-plantados, devendo
ser feita na Primavera
seguinte
à plantação.

Motorroçadora

O controlo manual com motorroçadora deve ser utilizado:

  • em terrenos de declive acentuado;
  • em terrenos rochosos;
  • quando é necessário proteger outros tipos de árvores.;
  • em terrenos mais pequenos, quando não é possível ou é demasiado caro utilizar meios mecânicos.

Mecânico

O controlo da vegetação de forma mecânica faz­-se através de corta­-mato ou de gradagem.

Corta-Mato

O corta­-mato é um equipamento que se atrela ao tractor e pode ser:

  • de eixo vertical (corta matos ligeiros com lâminas, discos, facas ou correntes), caso a vegetação arbustiva seja pouco ou medianamente desenvolvida.
  • de eixo horizontal (corta matos pesados) caso a vegetação arbustiva esteja muito desenvolvida.

Gradagem

  • Utilizar uma grade de discos acoplada a um tractor de rastos ou rodas, que corte e enterre parcialmente a vegetação, no máximo a 10 centímetros de profundidade.
  • A vegetação ao longo das entrelinhas de plantação deve ser cortada e incorporada na terra, mantendo uma distância mínima de segurança para as plantas de eucalipto.
Como fazer?

Deve destroçar­-se a vegetação ao
longo das entrelinhas de plantação,
mantendo uma distância
mínima de segurança
para
as plantas de eucalipto.

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Controlo Químico

Devem ser usados herbicidas sistémicos porque são mais eficazes no controlo da vegetação, preferencialmente os que são “isentos de toxicidade” e “não perigosos para o ambiente”.

ATENÇÃO:

  • Apenas técnicos e empresas prestadoras de serviços habilitadas podem realizar a aplicação de herbicidas (Lei n.º 26/2013, de 11 de Abril).

A aplicação de herbicidas tem de ter em conta:

  • a dimensão e a densidade/ocupação do terreno da vegetação espontânea;
  • a época do ano e as espécies de vegetação a controlar, seleccionando o produto adequado e a dose a aplicar, no respeito das normas ambientais.

Podem ser utilizados:

  • produtos homologados (ATENÇÃO! Só podem ser usados produtos fitofarmacêuticos com a respectiva autorização legal para venda. Consulte aqui a lista de produtos autorizados);
  • pulverizadores dorsais manuais;
  • pulverizadores dorsais motorizados;
  • meios mecânicos (pulverizadores acoplados a tractores com barras ou mangueiras para pulverização);
  • atomizadores motorizados.

Como preparar um herbicida?

1º Passo

  • Cumprir as recomendações e usar o equipamento de segurança, de acordo com as indicações do rótulo e ficha de segurança do produto.
  • ­Colocar água totalmente limpa num recipiente apropriado até cerca de metade da quantidade de calda pretendida.
  • Adicionar o herbicida.
  • Acrescentar água até à totalidade da quantidade pretendida, misturando bem.

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ATENÇÃO, CUIDADO:

  • A calda deve ser preparada longe de habitações, em locais bem arejados, afastados de fontes, poços e cursos de água;
  • ­O recipiente com o herbicida já preparado e pronto a ser utilizado não deve ser deixado sem vigilância;
  • A calda deve ser aplicada logo após a sua preparação;
  • Em caso de contacto com a pele, deve lavar­-se imediatamente a zona afectada;
  • Os trabalhadores que tenham feridas ou lesões na pele não devem preparar nem aplicar estes produtos;
  • Não se deve comer, beber ou fumar com as mãos contaminadas.
  • Depois de mexer num herbicida deve lavar a cara e as mãos, mesmo tendo usado equipamento de protecção;
  • Deve dar um destino adequado às embalagens vazias.

Como aplicar um herbicida?

2º Passo

  • A aplicação de herbicidas tem de ser feita sempre de acordo com o rótulo do produto.
  • ­Quando deve fazer a aplicação:

ATENÇÃO, CUIDADO:

Não aplicar:

  • contra o vento, para evitar deriva e consequentes danos nos eucaliptos.
  • em dias ventosos, com a velocidade do vento superior a 12 km/h na pulverização e a 8 km/h na atomização.
  • em dias chuvosos ou com previsão de chuva para as horas seguintes à aplicação. De preferência, deve aplicar em dias solarengos.
  • com a vegetação orvalhada nem em condições climáticas extremas (por exemplo, seca ou coberta de pó);
  • em dias com temperaturas superiores a 30ºC e inferiores a 8ºC;

Aplicar:

  • o mais próximo possível do nível do solo e da vegetação espontânea a controlar;
  • molhando a vegetação sem deixar escorrer, evitando perdas de produto e contaminação de solo;

Ao terminar a aplicação, todos os equipamentos devem ser lavados.

Não se esqueça:
1

Seja criterioso na escolha dos métodos mecânicos ou químicos, escolhendo o que for mais eficiente e não cause danos ambientais (ex: erosão do solo).

2

A melhor altura para fazer estes trabalhos de controlo de vegetação é em períodos mais húmidos, no final do Inverno, princípio da Primavera.

Evite:
1

­Utilizar meios mecânicos pesados ou meios químicos de aplicação generalizada em zonas sensíveis.

2

­­Utilizar meios mecânicos de controlo de vegetação espontânea que mobilizem e exponham o solo em áreas com risco de erosão e declive acentuado.

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Selecção de varas

As toiças de eucalipto rebentam após o corte e, depois da vegetação espontânea estar controlada, é necessário seleccionar as melhores varas que irão vingar.

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Após o corte as toiças voltam a rebentar passando a explorar-se o eucalipto em talhadia. Em cada toiça desenvolvem-se várias varas que têm de ser seleccionadas, dois a três anos após o corte, para ficarem as melhores.

Para a selecção de varas utilize uma motosserra e faça­-a de preferência entre os meses de Novembro a Janeiro. No entanto, em Inverno rigorosos, há que ter especial atenção com as geadas que podem prejudicar seriamente as áreas cortadas.

1ª selecção

  • Faz­-se entre os 2 e os 3 anos após o corte, quando:
  • as varas apresentarem sinais de se estarem a rachar e houver dominância de 1 ou 2 varas sobre as restantes toiças;
  • houver menos vegetação e o terreno não esteja muito encharcado.

Exemplo
de selecção
de duas varas
numa toiça

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ATENÇÃO:

  • A selecção de rebentos faz­-se preferencialmente na parte final do Inverno;
  • O número de varas por hectare deve ser próximo do número de árvores à plantação. Quando houver falhas deixe mais que uma vara para compensar e manter o numero de árvores (troncos) inicial.

Recomendações

  • Mantenha as varas mais vigorosas e corte as restantes.
  • Deixe duas varas:
    • Quando houver falhas nas linhas de plantação;
    • Quando as toiças estiverem no limite da área plantada;

    e desde que:

    • estejam bem desenvolvidas, com pelo menos 4 m de altura; ­
    • nenhuma das varas esteja dominada;
    • o diâmetro da toiça seja superior a 20 cm (aproximadamente um palmo).
  • No caso de manter duas varas, deixe­-las o mais afastadas possível para facilitar as operações mecanizadas de corte;
  • O corte deverá ser feito o mais próximo possível da base da vara na toiça, de forma ligeiramente inclinada e do exterior para o interior da toiça, para evitar a acumulação de humidade e a proliferação de fungos.

2ª selecção

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  • ­Deve efectuar-se cerca de dois a três anos após a primeira selecção.
  • A 2ª selecção pretende controlar e eliminar a nova rebentação.
  • O corte deve ser o mais próximo possível da base das varas na toiça.
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