Reciclagem
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A Reciclagem |
O fabrico de papel reciclado em Portugal já tem uma história secular. Inicialmente aproveitando os resíduos têxteis; posteriormente e até aos nossos dias, com a utilização de desperdícios de papel usado, que é recuperado e compactado após triagem.

Um dos grandes problemas ambientais nacionais do momento, os resíduos sólidos urbanos, tem vindo a ser minimizado e resolvido parcialmente, pela acção da indústria papeleira, reciclando uma parte muito significativa do papel consumido.
Esta recuperação de papel usado no nosso país é, tradicionalmente, equivalente à média europeia, aproximando-se dos 45% do total de papel consumido. No entanto, nos últimos anos, tem-se vindo a assistir a uma evolução menos favorável desta situação, em termos comparativos com os nossos parceiros europeus. Esta diferença deve-se a uma sensibilização mais rápida dos cidadãos desses países e de uma manutenção de capacidade instalada nacional de reciclagem, que não tem acompanhado o aumento do consumo.

Porquê reciclar?

O papel recuperado é uma matéria-prima valiosa que pode ser utilizada para produzir novos papéis e cartões. A reciclagem é uma opção melhor do que a valorização energética e ambas são melhores do que a simples deposição deste recurso em aterro.

Reciclar salva árvores?

A reciclagem significa que os recursos naturais de base – as árvores – são utilizados de forma eficiente. A mesma árvore dá origem a várias gerações de papel, uma primeira como fibra virgem e as seguintes como fibra reciclada. Essa utilização eficiente contribui para o desenvolvimento sustentado. No entanto, conforme é explicado abaixo, o papel não pode ser reciclado indefinidamente e existe uma fracção significativa de papéis que simplesmente não pode ser reciclado, o que obriga à entrada permanente e continuada de um fluxo de fibra virgem no sistema. Quando geridas de forma sustentável, as florestas são uma fonte de recursos naturais renováveis e consumir recursos renováveis por oposição a recursos não-renováveis (fósseis) faz ambientalmente todo o sentido.

Que materiais podem ser reciclados?

Quase todos os produtos papeleiros podem ser reciclados, incluindo jornais, cartão, embalagens, papel fotocópia, publicidade directa, revistas, catálogos, postais. É muito importante que estes materiais sejam mantidos fora de contacto com outros resíduos domésticos, uma vez que papéis contaminados com outros produtos (gorduras, restos orgânicos) não são aceitáveis para reciclagem. Contudo, existem produtos papeleiros que não podem ser, ou recolhidos, ou reciclados. Estão nesta situação, por exemplo, papéis de cigarro, papel de parede, lenços de papel e papel higiénico usados. Estima-se que estes papéis representem, na Europa, cerca de 20% do total de papel consumido.

Porque é que não poderá haver 100% de taxa de reciclagem?

Para além dos cerca de 20% de papéis não recicláveis, não seria económica e ambientalmente correcto recolher e reciclar todo e qualquer papel teoricamente possível, devido principalmente ao volume de transporte que essa actividade implicaria.

Quantas vezes pode o mesmo papel ser reciclado?

Ao ser reciclada a fibra vai perdendo qualidade. O processo de reciclagem vai quebrando as fibras individuais até um ponto em que o produto resultante não tem condições de resistência para dar origem a produtos papeleiros utilizáveis no mercado. Dependendo do tipo de papel original, a reciclagem da mesma fibra pode ser feita um máximo de quatro a seis vezes.

Seria possível utilizar apenas papel recuperado na produção de papel?

Basicamente todos os tipos de papel podem ser produzidos completa ou parcialmente utilizando papel recuperado. Contudo, para alguns tipos de papel, como papel para publicações e impressão de alta qualidade, ou alguns papéis para embalagem, apenas os melhores tipos de papel recuperado podem ser utilizados e estes apenas existem em pequenas quantidades.
Como o papel não pode ser reciclado indefinidamente e como existe uma fracção significativa de papéis não recicláveis, o sistema necessita de um fluxo constante de fibra virgem para se manter em funcionamento e para assegurar a manutenção da qualidade da fibra reciclada a um nível aceitável. É possível demonstrar que se a indústria deixasse de utilizar fibra virgem, a sociedade deixaria de ter papel para utilizar numa questão de meses.

É possível misturar fibra virgem com reciclada?

Sim, e essa é uma prática corrente em muitos produtos papeleiros.

De onde vem o papel recuperado?

A maior fonte de papel recuperado -52%- provém da indústria e das empresas. Esta percentagem cobre também as perdas de indústrias como transformação de papel (em produtos acabados e em embalagem) e impressão e devoluções de jornais e revistas não vendidos. Cerca de 10% é originado em escritórios e os restantes 38% tem origem doméstica.

Como se faz a recuperação de papel?

A forma de recuperar o papel usado para novas aplicações depende da sua origem. As fontes industriais e comerciais são geralmente tão grandes que lhes permitem ter os seus próprios circuitos de recolha e venda de papel recuperado. A recolha de papel de escritórios e de origem doméstica depende de país para país e, por vezes, de município para município. Em Portugal a forma mais corrente é a sua colocação em ecopontos. O fundamental é que o papel e cartão para reciclagem sejam recolhidos separadamente de outros resíduos, por exemplo, de outros lixos domésticos.

O que pode um cidadão fazer para aumentar a taxa de reciclagem?

A forma mais importante para um cidadão contribuir ao nível individual para aumentar as taxas de reciclagem é a de separar o papel utilizado e já não necessário e colocá-lo num local adequado para ser recolhido e posteriormente reciclado. Em Portugal, geralmente esse local é um ecoponto. Conforme já foi referido anteriormente é muito importante manter o papel separado de outros resíduos domésticos, uma vez que o papel contaminado com outros produtos já não será reciclável.

O produto final “papel” é todo igual?

Não, a designação papel abrange na verdade um conjunto enorme de produtos de aplicação e utilização diária. Cada um desses produtos tem as suas especificações técnicas e modos de produção próprios. Algumas dessas características são evidentes a olho nu (ninguém tem dificuldade em separar uma folha de papel de fotocópia de uma de papel de jornal ou um guardanapo de papel de uma prancha de cartão canelado), mas outras são mais subtis e prendem-se, por exemplo, com a resistência a tracção, quantidade de água que absorvem, suavidade da superfície, cor, opacidade, textura.

A matéria-prima “papel recuperado” é toda igual?

Não, do mesmo modo que os papéis colocados no mercado são muito diversos, também o papel recolhido apresenta qualidades muito diversas. Regra geral, quanto mais individualizada for a recolha por tipos individuais de papel e cartão, melhor. Um escritório que separe papel de fotocópia individualmente produz uma matéria-prima de melhor qualidade do que a mistura média geralmente recolhida num ecoponto. Do mesmo modo conseguem-se lotes de papel recuperado homogéneos com devoluções de lotes de jornais e revistas não vendidos ou com cartão separado, por exemplo, numa grande superfície.

E afinal? Reciclado ou virgem?

A resposta é ambos. Dependendo das características técnicas do papel a produzir poderá fazer sentido utilizar unicamente fibra virgem, 100% fibra reciclada ou misturas de fibras virgens e recicladas de vários tipos e origens. Genericamente, produtos de papel mais nobres e diferenciados tenderão a utilizar preferencialmente fibras virgens e/ou fibras recicladas de maior qualidade, enquanto usos mais vulgares e de utilização mais efémera tenderão a incorporar maiores quantidades de fibras recicladas de menor qualidade.
O mundo dos produtos de papel comporta diversidade suficiente para utilizar todos estes tipos de fibra em aplicações diferentes, sendo que:
Utilizar unicamente fibra virgem não faz sentido: trata-se de um uso pouco eficiente do recurso árvore e despreza uma matéria-prima importante: o papel usado.
Utilizar unicamente fibra reciclada não faz sentido: o ciclo de papel colapsaria em poucos meses.
Baseado em www.paperrecovery.org


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