Energia

Consumo de Energia Eléctrica em Portugal

 

O consumo de energia eléctrica em Portugal tem aumentado de forma consistente nos últimos anos, em cerca de 120.000 tep / ano.. A maior parte dessa energia é de origem térmica, produzida em centrais termoeléctricas dedicadas (50%) e em centrais de cogeração (11%).

 

O restante da produção de electricidade é colmatado com recurso a produção de origem hídrica (16,6 %) e por produção de energia eólica e geotérmica (14%).
Portugal é tipicamente deficitário na produção de energia eléctrica, recorrendo anualmente a uma importação líquida de electricidade (8,8% em 2009).

 

A indústria papeleira foi, em 2009, responsável pela produção de 4,2% da electricidade consumida em Portugal.

 

Produção por Cogeração

 

A cogeração é uma tecnologia de produção que combina a produção de calor, utilizado num processo industrial ou em aquecimento, com a produção de electricidade. Trata-se de um processo energética e ambientalmente interessante pois é muito mais eficiente que a simples produção de electricidade, que desperdiça uma maior fracção da energia térmica contida nos combustíveis.

 

Em termos nacionais a indústria papeleira é o sector que mais contribui para o total de energia eléctrica com origem nesta forma de produção, com 35% do total, tendo-se mantido, através de novos investimentos, como o principal sector cogerador e aumentar a sua auto-suficiência em relação às necessidades de consumo.

Em termos europeus, a auto-suficiência média do sector papeleiro em energia eléctrica (fonte CEPI, 2009) foi de 48%, valor francamente inferior ao observado em Portugal  onde o sector se mantém excedentário na produção de electricidade, com a produção a ultrapassar o consumo em 18%.

 

Perfil de Combustíveis na Produção Térmica

 

A produção térmica em centrais dedicadas é, em Portugal, praticamente baseada em combustíveis fósseis, particularmente o carvão e o fuelóleo.
A produção por cogeração (excepto na indústria papeleira) é baseada fundamentalmente em derivados do petróleo, fundamentalmente fuelóleo e, mais recentemente, também no gás natural.

 

As cogerações da indústria papeleira são diferentes das dos restantes sectores industriais no que toca ao perfil de combustíveis utilizado, verificando-se que a maior parte dos combustíveis consumidos por este sector em cogeração tem origem em biomassa (70% em 2010).

 

Consumo Global de Combustíveis

 

A indústria consome combustíveis quer na produção de energia térmica, utilizada directamente no processo, em transportes internos e em cogeração, com produção simultânea de calor (na forma de vapor ou água quente utilizados no processo industrial) e electricidade.

 

No caso da indústria papeleira, a forte aposta em sistemas de cogeração traduz-se na reduzida fracção de combustíveis com utilização directa para energia térmica e / ou em transportes internos..

 

Dos cerca de 30% de combustíveis fósseis utilizados por esta indústria, o combustível dominante é o gás natural (77%). Toda a biomassa é utilizada em processos de cogeração.
Quando comparado com o perfil de combustíveis da indústria papeleira na Europa (fonte CEPI, 2010), verifica-se que o sector em Portugal apresenta uma maior proporção no uso de biomassa (69% nacional vs 54% europeu), ausência de uso de carvão, e uma maior utilização de fuelóleo (5% vs 3,8%).

 

Dados referentes aos “Balanços Energéticos Nacionais”, realizados pela Direcção-Geral de Geologia e Energia para o período 1990 a 2009 e CEPI (2010).