Conferência Visões para uma Floresta de Futuro: “Uma floresta de ideias sobre a floresta”

16 Dezembro, 2016

A Conferência Visões para uma Floresta de Futuro realizou-se no dia 14 de Dezembro no Porto e juntou oradores com diferentes perspectivas da floresta (os videos serão brevemente disponibilizados).

Carlos Amaral Vieira, director geral da CELPA – Associação da Indústria Papeleira, abriu a conferência lembrando que está integrada no Prémio Floresta e Sustentabilidade e anunciando que as candidaturas se vão estender até 31 de Dezembro de 2016, estando a plataforma disponível até essa data.

José Manuel Palma, especialista em Psicologia Ambiental da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, esteve virtualmente presente  através de um vídeo feito especificamente para a ocasião. A sua apresentação, que destacou a relação entre o Homem e o ecossistema (“A Natureza é moldada e moldável pelos humanos”; “Quando o homem deixar de intervir nos ecossistemas, eles vão destruir-se”), serviu de mote para o debate que se seguiu.

António Louro, presidente da Aflomação e do Forum Florestal, fez uma intervenção emotiva sobre a floresta na sua região de influência. “70 a 90% das pessoas que têm floresta não moram lá, são pessoas que moram na cidade, a viver a milhares de quilómetros das suas propriedades”, o que levanta muitos desafios à própria gestão da floresta e levou Mação a implementar um sistema de gestão de pequenas e micro propriedades que tem sido case-study em Portugal e na Galiza. António Louro afirmou ainda que “a floresta pode ser um pilar de desenvolvimento para o País e poucos sectores terão a capacidade de criar a riqueza que a floresta cria”.

Domingos Lopes, professor da UTAD, pegou no caso de Mação como sendo “inspirador” e destacou a importância de uma floresta mais gerida, mais dinâmica e com formação técnica, características que, segundo o docente, um engenheiro florestal terá.

João Soveral, da CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal, olhando para o futuro, crê que a floresta dentro de dez anos não será um tema integrado no Ministério da Agricultura, mas sim numa área mais próxima da energia, tendo em conta a grande importância que a floresta terá na captação de CO2 e nos objectivos climáticos para os próximos anos na Europa. Soveral defendeu ainda que “as estratégias para a floresta devem estar mais focadas nos proprietários e menos na própria floresta”.

Bento Domingues lembrou os seus tempos de criança, em que a floresta era mal vista, porque era forma de “dar cabo dos terrenos para o gado, forma de subsistência para muita gente”. Hoje, acredita que a Igreja deve ter um papel fundamental na defesa da floresta, e que Portugal deve assim seguir as palavras do Papa Francisco a este nível. Bento Domingues defendeu que “é preciso uma floresta de ideias na cabeça das pessoas para que zelem pela floresta” e a “necessidade de criar um novo clima de atitude em relação à floresta e à Natureza”, deixando uma crítica: “O País só sabe que existe floresta quando esta está a arder”.

Rosário Alves, da Forestis, que recordou que em Portugal os párocos, nomeadamente da região Norte, chegaram a ser grandes aliados do associativismo ligado à floresta, e que estes são, por vezes, “o único elo de comunicação com as pessoas”, defendeu que a economia é o motor das várias actividades ligadas à floresta, e que devia ser lançado um desafio global de “duplicar ou triplicar a riqueza vinda da floresta nos próximos 20 ou 30 anos”.

A conferência foi encerrada pelo Ministro da Agricultura, depois de um período bastante concorrido de intervenções do público. Capoulas Santos falou sobre a sua reforma da floresta, que está a dar a conhecer pelo País e que deverá ser aprovado no próximo ano.

Fotografias de José Gageiro Moreira.

 

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