Certificações

As crescentes preocupações em matéria de protecção do ambiente, segurança e saúde no trabalho e, genericamente, de qualidade dos bens e serviços adquiridos, têm determinado que a indústria papeleira, para além de melhorar o seu desempenho, tenha que evidenciar estas melhorias para os seus clientes, sejam consumidores finais ou não, de forma objectiva e credível.

 

A certificação desempenha esta função, permitindo, através de auditorias por entidades independentes, tornar evidente, não só para os clientes, mas para a generalidade da Sociedade, o cumprimento de normas consideradas aceitáveis que incluem, pelo menos, o cumprimento da legislação aplicável.

 

Certificação ambiental

 

A partir de 1999, surgiram as primeiras unidades da indústria papeleira em Portugal certificadas pela norma ISO 14.001, na sequência da implementação de “Sistemas de gestão ambiental”, tendo, em 2001, sido emitido o primeiro certificado EMAS, relativo a um “Sistema comunitário de ecogestão e auditoria”.

 

Em 2010, 84% da produção papeleira nacional foi produzida em unidades com certificação de gestão ambiental ISO 14.001 e 16% em unidades com certificação EMAS, garantindo-se, desta forma, um desempenho ambiental controlado, com tratamento dos principais impactes e sujeito a uma política de melhoria contínua. (Para saber mais sobre certificação ou impactes ambientais ver Boletim Estatístico 2010 – Capítulo 7 – Indicadores Ambientais)

 

Certificação da Gestão Florestal Sustentável

 

Em Julho de 2005, foram contabilizados 244 milhões de hectares de áreas florestais certificadas, o que significa cerca de 6,2% do total da área mundial de floresta e um acréscimo de cerca de 56 milhões de hectares comparativamente a Novembro de 2004. Mantem-se, assim, a tendência para o crescimento registado nos últimos anos face ao ano 2000, ainda que a diferença de área florestal certificada registada entre os países desenvolvidos e sub desenvolvidos continue a aumentar. Na Europa 48% da área florestal é certificada, comparativamente com 27% na América do Norte e 0,9% na Rússia.

 

Em Julho de 2005, segundo a CEPI, a área florestal certificada no hemisfério norte representava 91% do total certificado no mundo, com 57% localizada na América do Norte e 34% na Europa.

 

 

A certificação da gestão florestal é um instrumento voluntário que permite melhorar a qualidade da gestão florestal e demonstrar que a mesma é realizada de uma forma responsável, tendo em conta os aspectos económicos, sociais e ambientais. Esta preocupação abrange também os recursos naturais com que a floresta interage, bem como as populações que dela dependem e adquiriu um estatuto de âmbito internacional a partir da Conferência Interministerial para a Protecção da Floresta da Europa, em Helsínquia (1991) e da Conferência das Nações Unidas para o Ambiente e Desenvolvimento, em 1992, no Rio de Janeiro.

 

O PEFC (Programme for the Endorsement of Forest Certification Schemes) é, actualmente, o sistema com maior área florestal certificada, com 231 milhões de hectares, localizados maioritariamente na América do Norte e Europa. O FSC (Forest Stewardship Council) representa, aproximadamente, 143 milhões de hectares de floresta certificada distribuída por diferentes regiões no mundo.

 

 

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Fonte: PEFC Council (30/04/2011) e FSC (16/05/2011)

 

 

Certificação de Gestão Florestal Sustentável em Portugal

 

As empresas associadas da CELPA, como transformadores responsáveis de madeira, reconhecem ser da maior importância a Gestão Sustentável dos recursos florestais do país e encontram-se, desde o final da década de 90, activamente envolvidas no estabelecimento de requisitos de Gestão Florestal Sustentável, na implementação de esquemas de certificação florestal e na comunicação da madeira como uma matéria-prima de excelência.

 

A CELPA integra, desde a sua formação, a entidade responsável pela criação da Norma Portuguesa 4406 “Sistemas de Gestão Florestal Sustentável – Aplicação dos Critérios e Indicadores” (NP4406), o Conselho da Fileira Florestal Portuguesa. Este organismo foi também responsável pelo desenvolvimento do “Código de Boas Práticas para a Gestão Florestal Sustentável”, como apoio à implementação da NP4406.

 

Em 2004 foi realizada a revisão de conformidade do Sistema de Certificação da Gestão Florestal Sustentável (PEFC Portugal) com os critérios para o mútuo reconhecimento de sistemas do PEFC Council. Em Dezembro desse ano o sistema foi formalmente reconhecido, estando, desde então, disponível para ser utilizado pelos produtores florestais portugueses.

 

Em meados de 2006 a WWF assumiu a responsabilidade de implementar a Iniciativa Nacional FSC, compromisso tornado público num fórum de âmbito nacional no dia 6 de Dezembro de 2006. Ao longo de 2007 coordenou as reuniões técnicas de adaptação dos Princípios e Critérios FSC ao contexto socio-económico e ecológico português e acompanhou a constituição formal da associação ambiental que irá representar as actividades do FSC em Portugal.

 

No final de 2010 a gestão de 199,8 mil hectares pertencentes às empresas associadas da CELPA encontrava-se certificada pelo sistema PEFC e 202,6 mil hectares pelo FSC, o que corresponde a 97,3% e a 98,6% da área total associada, respectivamente.

Estas áreas também correspondem a 97% da área total cuja gestão se encontra certificada pelo PEFC em Portugal e a 76% pelo FSC, respectivamente.

 

A certificação da Cadeia de Responsabilidade aplica-se a indústrias ou agentes que transformam, processam e/ou vendem produtos de origem florestal. Em 2010, as empresas associadas da CELPA detinham as suas Cadeias de Responsabilidade certificadas tanto pelo PEFC como pelo FSC.