Ambiente

O universo CELPA (Associação da Indústria Papeleira Portuguesa), compreende um conjunto de empresas produtoras de pastas para papel e de diferentes tipos de papéis e cartões. Na realidade, a actividade desta indústria estende-se a quase todo o ciclo de vida dos produtos de papel, estando envolvida desde a produção de matérias-primas (produção florestal) até ao tratamento dos produtos no fim de vida (através de reciclagem ou valorização energética de papéis recuperados). Estamos, perante um tipo de indústria com características bastante únicas no panorama industrial português e mundial e que tem necessariamente de interagir com um vasto conjunto de stakeholders (Estado português, União Europeia, ONG’s, Produtores florestais, Universidades, Autarquias, Sociedade Portuguesa) ao longo de toda a cadeia de valor.

 

A indústria papeleira portuguesa progrediu muito ao longo dos últimos anos, na forma como considera e aborda os problemas da poluição e do ambiente em geral. A responsabilidade ambiental e social das empresas é, cada vez mais, o paradigma dominante da gestão industrial. Esta indústria depara-se também com uma complexidade acentuada ao nível dos processos mecânicos e químicos, associados à produção de pasta e de papel. Neste contexto, os assuntos associados com emissões de CO2, consumo de energia, consumo de gás, utilização de biomassa, consumo de água, entre outros, estão relacionados com a gestão corrente desta indústria.

 

Assim, e pela natureza do negócio, os aspectos ambientais constituem parte integrante da gestão das empresas do sector.
Desde a década de 80 que esta indústria iniciou um forte investimento ao nível da aquisição de novos equipamentos, que contribuíssem para a diminuição do seu impacte ambiental.
Atendendo ao facto do crescimento desta indústria estar dependente de um recurso natural renovável, as empresas têm vindo a desenvolver acções ao longo da sua cadeia de valor, desenvolvendo os seus próprios sistemas de gestão sustentável nas áreas por si geridas.

 

O aumento da área florestal detida pelas empresas certificada pelo PEFC e pelo FSC – dois standards que certificam a gestão florestal sustentável – tem vindo a aumentar nos últimos anos.
A indústria tem vindo a desenvolver práticas de gestão que têm permitido por exemplo, diminuir o consumo de água por tonelada produzida, os efluentes e as emissões de CO2 e outros gases com efeito de estufa. Na realidade cerca de 86% da produção total de Pasta e papel é certificada pela ISO 14001, 86% tem também a certificação de Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho pela OSHAS 18001 e 18% já certificada pelo EMAS.

 

Este crescimento foi acompanhado por constantes investimentos ambientais, que se reflectem no facto de 100% dos produtos papeleiros terem certificação de qualidade nos processos, sendo 80% desses produtos certificados ambientalmente.

 

Esta indústria tem vindo a afirmar que apresenta das situações mais equilibradas do ponto de vista da realização dos dois objectivos nacionais: a nível económico, o da redução do défice da balança comercial e o significativo aumento das exportações e a nível ambiental, o da limitação de emissões de CO2. Esta afirmação é baseada numa história de investimento e de melhoria contínua possível de confirmar pelos dados estatísticos e informações oficiais de referência.

 

O desempenho económico positivo que a Indústria tem vindo a alcançar tem sido acompanhado por uma preocupação crescente com o ambiente. A necessidade de incorporar as questões ambientais na gestão corrente das empresas, reflecte-se de várias formas nesta indústria:

  • com a utilização das melhores técnicas disponíveis aplicadas na generalidade das instalações
  • na adopção de práticas voluntárias que minimizam os impactes da indústria, nomeadamente através do desenvolvimento de acções de formação com os proprietários privados e outras parcerias de negócio
  • e através de um forte envolvimento nas discussões com as autoridades quer nacionais quer europeias, sobre os vários temas do foro ambiental e económico, e cujos desenvolvimentos têm uma forte influência no futuro do Sector.

 

No quadro industrial global e nacional, a indústria papeleira tem especificidades com relevância para as alterações climáticas, resultantes das características técnicas dos processos industriais. Tal como foi referido anteriormente as empresas iniciaram, logo nos anos 80, fortes investimentos do foro ambiental. A valorização da biomassa (casca de madeira, resíduos florestais e licor negro) para auto- abastecimento energético, através das unidades de co-geração, em alternativa à utilização de combustíveis fósseis, teve um resultado significativo quando comparado com outros sectores nacionais também fortemente consumidores de energia.

 

As principais medidas adoptadas pela indústria que contribuem directamente para a redução de gases com efeito de estufa e, consequentemente para a mitigação e redução do contributo da indústria papeleira para o problema das alterações climáticas podem ser resumidas da seguinte forma:

  • Substituição de combustíveis fósseis por biomassa;
  • Substituição de fuelóleo por gás natural;
  • Novos tratamentos biológicos dos efluentes;
  • Melhoria da eficiência energética dos processos;
  • Atenuação da incomodidade do ruído e dos odores;
  • Gestão adequada das áreas florestais;
  • Utilização de variedades melhoradas de eucalipto;
  • Prevenção e combate a incêndios florestais;

 

A indústria Papeleira apresenta algumas características que a tornam única do ponto de vista da sustentabilidade florestal e ambiental, pois baseia-se na exploração de um recurso natural, renovável e com características de sumidouro de carbono, através das florestas que gere; produz produtos com alto conteúdo em carbono, o que lhes confere um estatuto de sumidouro, que é proporcional à vida útil do produto; produz produtos várias vezes recicláveis, prolongando assim a respectiva vida útil; Produz produtos biodegradáveis, reduzindo o impacte ambiental da sua deposição final.

 

São múltiplos os projectos e acções que promovem uma gestão florestal equilibrada e responsável, desde os programas de melhoramento genético, fertilização e controlo de pragas e doenças, passando pelos estudos relacionados com a biotecnologia e conhecimento da estrutura genética do eucalipto, a acções na área dos equipamentos, eficiência técnica das operações, eficiência dos transportes, reforços das condições de segurança no trabalho. Grande parte destas acções não ficam “retidas” nas empresas, antes pelo contrário, são partilhadas com parceiros, sejam associações de proprietários, sejam empresas prestadoras de serviços com as quais a indústria tem uma longa tradição de cooperação.

 

As empresas deste sector industrial com actividades florestais estão certificadas pelos principais sistemas internacionais de gestão florestal, o FSC e o PEFC. Para além disso as empresas da indústria papeleira estão a trabalhar em prol da gestão sustentável, juntamente com outras entidades, nomeadamente as Associações de Produtores Florestais, tendo a CELPA tido um papel fundamental na criação em Portugal do Conselho da Fileira Florestal Portuguesa, que tem como objectivo a promoção da gestão florestal sustentável e sua certificação por entidades externas.
A Indústria papeleira compete num mercado global onde a qualidade em termos gerais é um dado adquirido. Os valores ambientais são hoje, como já o eram no passado para este sector, parte integrante dessa qualidade.

 

Não concebemos uma indústria moderna e com futuro que não trate o ambiente de forma tão séria e responsável como a eficiência dos processos, a formação dos seus colaboradores e as relações com terceiros. São todos elas partes do mesmo pacote de preocupações que nos permite encarar o futuro com a tranquilidade possível em mercados dinâmicos e, felizmente progressivamente mais existente.