As crescentes preocupações em matéria de protecção do ambiente, segurança e saúde no trabalho e, genericamente, de qualidade dos bens e serviços adquiridos, têm determinado que a indústria papeleira, para além de melhorar o seu desempenho, tenha que evidenciar estas melhorias para os seus clientes, sejam consumidores finais ou não, de forma objectiva e credível.
A certificação desempenha esta função, permitindo, através de auditorias por entidades independentes, tornar evidente, não só para os clientes, mas para a generalidade da Sociedade, o cumprimento de normas consideradas aceitáveis que incluem, pelo menos, o cumprimento da legislação aplicável.
Certificação ambiental
A partir de 1999, surgiram as primeiras unidades da indústria papeleira em Portugal certificadas pela norma ISO 14.001, na sequência da implementação de “Sistemas de gestão ambiental”, tendo, em 2001, sido emitido o primeiro certificado EMAS, relativo a um “Sistema comunitário de ecogestão e auditoria”.
Em 2004, 82% da produção papeleira nacional foi produzida em unidades com certificação de gestão ambiental ISO 14.001 e 12% em unidades com certificação EMAS, garantindo-se, desta forma, um desempenho ambiental controlado, com tratamento dos principais impactes e sujeito a uma política de melhoria contínua. (Para saber mais sobre certificação ou impactes ambientais ver Anuário Estatístico 2004 – Capítulo 7 – Indicadores ambientais e enegéticos)
Certificação da Gestão Florestal Sustentável
A certificação da gestão florestal é o instrumento voluntário que permite melhorar a qualidade da gestão florestal e demonstrar que a mesma é realizada de uma forma responsável, tendo em conta os aspectos económicos, sociais e ambientais. Esta preocupação abrange também os recursos naturais com que a floresta interage, bem como as populações que delas dependem e adquiriu um estuto de âmbito internacional a partir da Conferência Interministerial para a Protecção da Floresta da Europa, em Helsínquia (1991) e da Conferência das Nações Unidas para o Ambiente e Desenvolvimento, em 1992, no Rio de Janeiro.
Evolução da área florestal certificada no mundo pelos principais sistemas (milhões de hectares), de 1996 a Julho de 2005 (Nota: a área referente ao PEFC exclui a área do CSA (Canadian Standard Association) que foi adoptado pelo PEFC em Março de 2005)
Fonte: CEPI (http://www.forestrycertification.info/)
Em Julho de 2005, foram contabilizados 244 milhões de hectares de áreas florestais certificadas, o que significa cerca de 6,2% do total da área mundial de floresta e um acréscimo de cerca de 56 milhões de hectares comparativamente a Novembro de 2004. Mantem-se, assim, a tendência para o crescimento registado nos últimos anos face ao ano 2000, ainda que a diferença de área florestal certificada registada entre os países desenvolvidos e sub desenvolvidos continue a aumentar. Na Europa 48% da área florestal é certificada, comparativamente com 27% na América do Norte e 0,9% na Rússia.
Em Julho de 2005, segundo a CEPI, a área florestal certificada no hemisfério norte representava 91% do total certificado no mundo, com 57% localizada na América do Norte e 34% na Europa.
O PEFC (Programme for the Endorsement of Forest Certification Schemes) era, em Julho de 2005, o sistema com maior área florestal certificada, com cerca de 122,9 milhões de hectares, localizada na América do Norte e Europa.
O FSC (Forest Stewardship Council) representava, na mesma data, aproximadamente 53,7 milhões de hectares de floresta certificada distribuída por diferentes regiões no mundo.
Posição relativa dos principais sistemas de certificação florestal em Julho de 2005 (Nota: a área referente ao PEFC já inclui a área do CSA (Canadian Standard Association) que foi adoptado pelo PEFC em Março de 2005)
Fonte: CEPI (http://www.forestrycertification.info/)
Sistema Português de Certificação Florestal
As empresas associadas da CELPA, como consumidores responsáveis de madeira, reconhecem ser da maior importância a Gestão Sustentável dos recursos florestais do País e encontram-se, desde o final da década de 90, activamente envolvidas no estabelecimento de requisitos de gestão florestal sustentável, na implementação de esquemas de certificação florestal e na comunicação da madeira como uma matéria prima de excelência.
A CELPA integra, desde a sua formação, a entidade responsável pela criação da Norma Portuguesa 4406 “Sistemas de Gestão Florestal Sustentável – Aplicação dos Critérios e Indicadores” (NP4406), o Conselho da Fileira Florestal Portuguesa. Este organismo foi também responsável pelo desenvolvimento do “Código de Boas Práticas para a Gestão Florestal Sustentável”, como apoio à implementação da NP4406.
Em 2004, foi realizada a revisão de conformidade do Sistema de Certificação da Gestão Florestal Sustentável (PEFC Portugal) com os critérios para o mútuo reconhecimento de sistemas do PEFC Council e em Dezembro o sistema foi formalmente reconhecido e está, portanto disponível para ser utilizado pelos produtores florestais portugueses.
Actualmente, o grupo Portucel Soporcel encontra-se em fase de certificação pelo FSC, a Celbi está duplamente certificada pelo PEFC e FSC e a Silvicaima está certificada pelo FSC.